Diário de Pernambuco
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CENÁRIOS PARA DIFERENTES ESPAÇOS Criar jardins em casa ou no apartamento requer cuidados básicos para compor bem o ambiente

Publicação: 21/11/2006 12:23 Atualização:

 (Fotos: Gladyston Rodriguês)
Janine Diniz

Ter um jardim em casa ainda é um hábito comum em várias cidades no Brasil, apesar das dificuldades, como a inexistência de espaços de terra em apartamentos, o preço dos projetos e a vida corrida, em que quase não se tem mais tempo para nada, muito menos para cuidar de plantas. Mesmo assim, paisagistas, arquitetos e jardineiros estão sempre com a agenda cheia, criando belos cenários em diferentes espaços, e para todo tipo de orçamento. Para quem mora em casa e tem um espaço de terra disponível, há cuidados básicos que devem ser seguidos. Verificar se a terra é de boa qualidade é o primeiro passo. O ideal é que ela seja daquela bem preta e solta, que não vire barro quando molhada e que não apresente muita acidez, mais comum em terrenos avermelhados ou esbranquiçados. Quem orienta é o jardineiro Laércio de Paula Gonçalves, de 43 anos, que está há 12 anos na profissão e aprendeu a lidar com as plantas na prática, trabalhando na Floricultura Bela Vista, em Belo Horizonte, onde também fez alguns cursos. O jardineiro lembra que muitas vezes é preciso remover uma parte da terra do jardim e colocar um substrato novo, adubado, que deixe o terreno mais arejado. Esse substrato costuma ser preparado com partes iguais de terra, areia e esterco curtido, para que o solo esteja sempre permeável, favorecendo a infiltração da água, informa Maria Márcia Barbosa Galvão, paisagista formada pelo Instituto de Arte e Projeto Inap, que atua bastante no interior do estado, criando e fazendo a manutenção de jardins. A cobertura pode ser de grama, a preferida na maioria dos jardins, ou pode ser composta por cascalhos, pedrinhas, seixos rolados e até madeiras, materiais ideais quando o espaço é pequeno, como os das jardineiras montadas em apartamentos. Laércio destaca a cobertura feita com as próprias plantas, que, quando plantadas muito juntas, dispensam grama e outros materiais, como ocorre nos canteiros da Praça da Liberdade, em Belo Horizonte, onde há canteiros que são um verdadeiro mar de flores da mesma espécie, plantadas umas bem próximas às outras. Entre os tipos de grama mais escolhidos, ideais para jardins domésticos, estão a São Carlos, a Esmeralda e a grama preta, que não crescem muito e são mais fáceis de podar. Para apartamentos e até para casas onde o quintal é totalmente cimentado, tanto Laércio quanto Márcia têm produzido jardins apenas em vasos, de qualquer tamanho. É possível criar um bom jardim sem ter terra no chão. Um de meus clientes fez um com vasos de rosas, daquelas grandes, de todas as cores. Outro criou um pomar no quintal cimentado, com grandes vasos de jabuticabas, pitangas, laranjinhas e ameixas, afirma.

Sonho possível

Seja vaso ou terra, é preciso saber escolher a planta certa para cada tipo de ambiente e que atenda as expectativas das pessoas. Para Graça Souza Lima, paisagista também formada pelo Inap, o primeiro momento é o da conversa com o cliente. Quem decide fazer um jardim está realizando um sonho. Precisamos encontrar o caminho do meio entre o desejo e o que é possível fazer em determinado ambiente, ressalta. Graça tem criado jardins em diferentes locais, que ela chama de cenários. Ela começou cuidando dos jardins da família e volta e meia era chamada para dar um jeitinho em jardins de amigos. Resolveu, então, se profissionalizar e tem realizado todo tipo de projetos, em casas, chácaras e fazendas. Graça considera que o jardim também é possível em apartamentos, onde há algumas opções que se adaptam melhor, como vasos harmoniosamente dispostos em paredes, que compõem os jardins verticais. Jardineiras em janelas, vasos em jardins de inverno e até hortas são outras soluções para esse tipo de espaço. Após a conversa inicial com o cliente, Graça executa um anteprojeto, que traz o desenho colorido do futuro jardim. Nessa fase são feitas as adequações necessárias, para só então ser apresentado o projeto definitivo. O contrato pode incluir o acompanhamento da obra, o que Graça considera muito importante. Ela explica que até a posição das plantas influencia no resultado. Algumas podem esconder as outras ou chamar demais a atenção. Além disso, é preciso ter uma unidade entre elas, para que haja harmonia. Geralmente, criamos um centro de interesse. O projeto costuma girar em torno de uma planta exótica, de grande porte ou com bela folhagem. Outro aspecto ressaltado por Graça é o estilo, que mudou ao longo do tempo. No final do ano passado, Graça remodelou um grande jardim de uma das casas localizadas na orla da Lagoa da Pampulha. A dona da casa solicitou uma reorganização do espaço que aproveitasse todas as plantas. Além disso, o prazo era curto. Tudo tinha que estar preparado para as festas de fim de ano. Transplantei palmeiras, que estavam espalhadas pelo gramado. Coloquei-as em uma disposição mais moderna, juntas. Trabalhamos até a noite, para aproveitar quando a chuva parava, relata. Escolhido o estilo, o projeto, as plantas e o prazo de execução das obras, Graça também entrega um memorial técnico para o cliente, para que ele próprio seja capaz de manter o jardim vivo. Esse memorial caracteriza o jardim. Define o tipo de tratamento para cada planta, como e quando molhar e adubar e os prazos de manutenção. Em meio à técnica, o prazer de criar não fica esquecido. Compor um jardim é como uma gestação amorosa, cautelosa, ansiosamente esperada. Éa concretização de uma obra única, completa.

GRANDES PROJETOS
As construtoras têm investido cada vez mais em projetos que valorizem o paisagismo, contratando profissionais que criam cenários e ambientes cheios de estilo. Esta foi a história dos jardins do Edifício Andrômeda, construído pela Paranasa na Rua Paulo Camilo Pena, no Belvedere. Nove butiás, altas palmeiras de troncos grossos, foram trazidas já adultas do Sul do país para compor um cenário que se diferenciasse dos prédios da região. A idéia foi de Luiz Carlos Orsini, que estudou paisagismo em Madri, na Espanha. Há 26 anos eu crio paisagens. Somente em Belo Horizonte, executei mais de 50 projetos em edifícios.

O paisagismo deve entrar no planejamento da obra, construído junto ao projeto arquitetônico, avalia. Segundo Jânio Valeriano Alves, diretor de desenvolvimento da Paranasa, as árvores fizeram o diferencial desse jardim e justificaram o investimento e o trabalho. Esse tipo de projeto quebra a aridez do concreto e valoriza muito o empreendimento, analisa. Criar um ambiente que proporcione maior bem-estar é a aposta do Consórcio Alicerce Castor ao planejar o Belvedere Top Green, cuja conclusão está prevista para o ano que vem. O edifício, em estilo resort, ocupará um quarteirão inteiro, também no Bairro Belvedere. São 10.620 metros quadrados, com 50% deles aproveitados para área verde. Segundo Ítalo Gaetani, diretor-superintendente do Consórcio Alicerce Castor, dos R$ 80 milhões que totalizam o investimento, 50% serão destinados à criação dos jardins, que estão sendo projetados por BeneditoAbbud, arquiteto e paisagista paulista.A preocupação de Benedito, que atua nesta área há 35 anos, é aguçar os cinco sentidos. Usarei árvores queproduzem flores coloridas, como os ipês e os jacarandás, para alegrar os olhos; plantas de cheiro, como gardênias, para aguçar o olfato; provocarei uma mistura de texturas para brincar com o tato e colocarei muitas árvores frutíferas, como pitangas, jabuticabeiras e amoras, para atrair o canto dos pássaros, detalha.

Pensando nas sensações que podem despertar os jardins, Benedito lançou, semana passada, na capital paulista, o livro Criando paisagens Guia de trabalho em arquitetura paisagística, pela Editora Senac São Paulo. Segundo o próprio autor, o livro é voltado para principiantes, pois ensina como fazer. Mostro diversos recursos para projetar espaços vivos, e, por isso mesmo, mutáveis, que nos convidam a interagir de maneira sensível e não apenas pragmática, conclui.


ESCOLHA DE PLANTAS

No livro Criando paisagens Guia de trabalho em arquitetura paisagística, Editora Senac São Paulo, Benedito Abbud descreve as etapas para a criação de um projeto paisagístico comercial ou residencial e traz dicas para escolher plantas, cores e objetos. Apresenta, também, os conceitos e as ferramentas do paisagismo e mostra, de forma prática e acessível, como trabalhar espaços, escalas e perspectivas. É direcionado a profissionais e estudantes de arquitetura e agronomia, bem como interessados na área.

Algumas dicas do livro:
* Após posicionar os volumes vegetais na maquete, escolha algumas cores para realçar as florações e as folhagens;
* O ideal é fazer quatro maquetes, uma para cada estação, recurso que permite visualizar as transformações que o jardim sofrerá aolongo do ano;
* Use plantas que floresçam em épocas distintas do ano. Assim, o espaço terá atrativos permanentes;
* Para criar situações e sensações diferentes, useobjetos de formato incomum e plantas com formas esculturais.

SAIBA MAIS

* Não descuide da manutenção do jardim. Eladeve ser feita em no máximo dois meses e, em alguns casos,até em menos tempo, se o período for de chuva.
* Há plantas que florescem apenas uma parte do ano e precisam ser podadas para brotar novamente, como as rosas e as hortênsias; outras florescem o ano inteiro, como as azaléias e as marias-sem-vergonha; outras, ainda, vivem um certo período e precisamser totalmente replantadas, como as petúnias.
* Há plantas que gostam de Sol, como as azaléias e plantas de sombra, como os beijos (impatiens).


DICAS
Quando trazemos orquídeas e bromélias para nossos jardins, devemos reproduzir o ambiente do seu habitat:

LUZ
* Quase todas as espécies de orquídeas e bromélias são de meia sombra. Ou seja, aquele sol filtrado do início da manhã ou do final da tarde.

SUBSTRATO
* O pó de xaxim ou xaxim desfibrado é um dos melhores ingredientes. Fibras de coco e musgo desidratado também são usados.

ADUBAÇÃO
* Devemos usar sempre adubos específicos para essas plantas, pois são menos concentrados e balanceados na medida exata que elas precisam.

REGA
* As orquídeas e as brom élias em geral gostam de ser irrigadas com vapor de água dia sim e dia não no verão, e de dois em dois dias no inverno.

Fonte: site http://www.luciaborges.com.br

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