Economia

Crise é realidade, mas bolha não

A situação financeira do Brasil atingiu negativamente o mercado imobiliário. Mas rompimento no setor não passa de especulação

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postado em 18/09/2015 09:35 / atualizado em 18/09/2015 10:32
Mesmo em crise, há quem aproveite o momento para comprar imóvel mais em conta - João Veloso/ESP. DP/D.A PRESS Mesmo em crise, há quem aproveite o momento para comprar imóvel mais em conta
A bolha imobiliária é um dos temas mais polêmicos dos últimos anos no Brasil, com direito a pitacos de economistas renomados, como o prêmio Nobel Robert Shiller, o qual alertou que a qualquer momento a bolha estouraria no país. No entanto, as últimas evidências são de que a suposta bolha estaria “desinflando sem estourar”. Em Pernambuco, por exemplo, não há evidências para um rompimento de mercado, visto que ainda há oferta e procura, mesmo que de modo mais discreto.

Segundo o presidente da Ademi-PE, André Callou, o estado não sofrerá tal prejuízo porque o mercado imobiliário ainda contribui para a economia. “Pernambuco tem sua força. Suape e Goiana atraíram muitos investimentos que mexem com a economia local”, destaca.

Por outro lado, se não há bolha, há crise. E ela atinge o setor imobiliário, já que os altos investimentos e financiamentos longos requerem apoio dos bancos, que estão limitando a liberação de créditos. O aumento da taxa Selic, que dita os juros bancários, é determinante para a desvalorização dos empreendimentos. Assim, as pessoas com limitações para comprar reduzem seus investimentos, forçando as empresas a baixarem o preço de seus produtos.

Segundo o economista e professor de cenários econômicos da Faculdade dos Guararapes, Tiago Monteiro, a desaceleração do consumo provoca o aumento da taxa básica de juros, o que reflete no setor. “A partir de 2008, vivemos uma bomba no mercado imobiliário, pois as pessoas consumiam bastante, o que ajudava na redução da taxa Selic, levando os especuladores a investirem pesado no mercado. Isso durou até 2013, quando as pessoas endividadas reduziram o consumo”, explica. O professor também ressalta a diferença de públicos com o tempo. “Antes, havia muitos especuladores investindo no setor. Hoje, os investidores deram espaço para moradores, ou seja, as pessoas não estão injetando dinheiro para lucrar, mas para morar”.

Para Callou, a crise política é o grande entrave do mercado. “Ela é pior que a econômica, pois passa mais insegurança para o comprador. Como o crescente número de desemprego, o consumidor não sabe se será o próximo ou não. Então, acaba se resguardando”, diz Callou. Por outro lado, há que esteja se beneficiando - muito bem - da crise. “Alguns estão aproveitando o momento para comprar um imóvel novo por preço mais em conta”, acrescenta.

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